MEMÓRIAS DE UM QUADRIFOGLIO

Tenho uma história com o Quadrifoglio. Desde pequena povoa minhas referências e memórias gastronômicas. E foi assim, passando em suas várias fases, desde a Silvana mãe do Luca meu amigo de colégio, até a tutela do Kiko Faria.

Parte da “culpa” se deve a meu pai, o qual me acostumou mal desde sempre, com as assertivas: Tirou 10 na prova? Terminou a audição de piano? Passou de turma na ginástica olímpica? Quadrifoglio.

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E assim foi desde o berçário acostumando sua companheira-gastro-mirim-com orgias incontáveis que começavam com café da manhã na saudosa Colombo de Copacabana, pausa no parquinho pra ganhar fôlego e partir para almoço na Tia Palmira de Guaratiba, e término do dia numa mesa com nossos vizinhos patrícios, nos jantarzinhos regados ao indefectível arroz de pato do Antiquarius. E o tempo passou, a rotina continua a mesma, apenas com mais conhecimento, gula, endereços e companhias.

Minhas memórias têm muitos caracteres e cheiros do Quadrifoglio: aquele perfume do ravioli de pêra com molho de gorgonzola passeando pelo salão, das minhas papilas gustativas batendo palmas, daquela foccacia deitadinha na cesta do couvert esfumaçado, incontáveis barrigas de porco e do ravioli de bacalhau mergulhado na sopa de lentilha. As fotos têm tempero de encontros com amigos, de mesas sentadas só pra degustar o couvert, da brigada sorridente e de pensar constantemente que era a passagem aérea com melhor custo-benefício para o paladar da Itália.

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Kiko Faria não está mais na batuta das panelas. Sua última noite na casa foi memorável. Regada a vieiras, fígado de coelho e outros mimos, fechou com chave de ouro mais uma etapa. O Restaurante perde um grande profissional, mas desejo vida longa a essas panelas, mantendo o brilho areado desse lugar que é um dos clássicos que jamais saem de moda no Rio.

Gastroholic, cozinheira, empresária, ceramista e certificada em jornalismo gastronômico. Chef executiva do catering ARB atuante no setor hoteleiro – RJ.
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