A CHAPA TÁ QUENTE DE NORTE A SUL! 3 NOVAS HAMBURGUERIAS NOS EIXOS NORTE, CENTRO E SUL DA CIDADE

A chapa está realmente quente.  Depois da febre de temakerias, yoggos e afins, eis que chegou ao longo reinado, o antes anti-cristo da Gastronomia. Antes desafeto dos cardápios, agora o hambúrguer é presença VIP. O hambúrguer definitivamente virou a vedete de todos os cardápios, independente do número de estrelas e do tamanho da fome. Os formatos são os mais diversos. Não há escapatória, hambúrgue-se.

Visitamos as mais novas hamburguerias dos eixos norte, centro e sul da cidade, que estão dividindo opiniões, causando polêmica e distribuindo felizes calorias. O público não se contenta mais somente com dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, num pão de gergelim. O carioca tem apetite de ambiente, quer o tempero de uma pegada conceitual, e está ligado no custo-benefício.

Apesar de verossímel a importação ter sido carimbada pelos norte-americanos, corre à boca pequena – e controversa – que teria advindo de imigrantes alemães de Hamburgo no século XVII, com marinheiros alemães que faziam a rota do Báltico. Conheceram a receita, mas não se seduziram muito pela a carne crua, levando a idéia pra casa e passando a cozinhar essa carne. No século XIX, quando a América recebia seus novos descobridores, os navegadores que partiam da cidade alemã de Hamburgo traziam a tradicional receita, que recebeu o nome de hamburg style steak – bife ao estilo hamburguês. Os americanos aperfeiçoaram a receita e acrescentaram o pão, tornando-o um ícone da culinária americana. Atribui-se majoritariamente a introdução do hambúrguer no Brasil ao americano Robert Falkenburg, campeão de tênis em Wimbledon, que abriu em 1952 na cidade do Rio de Janeiro a primeira lanchonete Bob’s. Independente do verdadeiro progenitor do hambúrguer, registremos que a idéia de colocar algum recheio no pão é bem mais antiga. Tempos antes de Cristo, nos rituais antigos do Pessach, a denominada páscoa judaica, já era feita uma mistura de pão com alguns tipos de embutidos.

Eis os novos templos que fincaram bandeira na Cidade Maravilhosa:

1) Eixo Zona Norte – Bucaneiros :

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As terras Tijucanas estavam carentes deste tipo de negócio, que harmonizou no público-alvo com potencial de consumo. O alvo era a zona norte, o ponto foi escolhido por acaso, e a tacada foi certeira. Os glutões locados em outras comarcas são bem-servidos por metrô nas proximidades, quebrando as barreiras e preconceitos das bandas de lá. A hamburgueria hype é encabeçada por três jovens e sob a batuta de cardápio de um quarto, experiente já em outras casas do ramo. Ambiente informal e bem transado, música boa e preços honestos. Três tipos de hambúrgueres, seguindo a tendência de cartas enxutas, servem bem a distintos paladares. O blend das carnes incorpora uma certa dose de bacon, perfazendo covardia perante os demais concorrentes. O pão, comum a todos, é feito com parmesão e tomilho. As fritas são rústicas. Os hambúrguers são: clássico – com direito a pedir duplo, o “da casa” e o suíno. O clássico é servido com 120gr de carne, cebola confitada, molho de tomate, cebola roxa, alface e queijo mussarela. O “da casa” dispõe 160gr do blend sculento com barbecue rústico, uma pasta de alho com queijo gratinado – dos deuses – e coentro. O suíno lamentavelmente não pôde ser degustado por estar em falta na casa, mas trazia promessas duradouras de aiolis e tomates assados. Não obrigatórias, mas muito bem vindas as opções adicionais para o seu hambúrguer, os molhos mostarda doce, barbecue, maionese de alho e o apimentado.

2) Eixo Centro – Beco do Hambúrguer :

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Os mandamentos do beco: a carne é a estrela, com hambúrguer angus certificado pela associação brasileira, realmente fresco e moído na casa. O pão de batata traz o plus de ser artesanal e é saboroso, apesar da aparência bastante aquém em termos de beleza. O complemento vem munido de batatas com tempero especial da casa, crocantes e sequinhas, como manda o figurino. Os refrigerantes têm refil ilimitado, jogada interessante do formato hamburgueria. Um adendo inteligentíssimo adorna o caixa, em forma de display que avisa qual é o ponto da carne, oferecendo aos famintos de plantão que estão disponíveis para saciar outros pontos desejados. O ambiente não é a cereja do bolo, carecendo ser harmonizado com alguma personalidade, tal qual o exaustor mostrar ao que veio – evitando aquele cheiro impregnado da dobradinha gordura & fritura – fazendo lembrar o primo rico proveniente da terra do Tio Sam. O funcionário que trabalha no Centro, com uma hora de almoço disponível, se casa perfeitamente com a ideia deste negócio.

3) Eixo Zona Sul – Meating :

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Curioso como o Panelando é, resolveu aventurar seu bem-tratado paladar na recém-aberta casa do baixo Gávea, apimentando as opções no reduto lotado às quintas. O responsável pela casa, incansável na otimização de tudo desde o primeiro dia, sabe que ainda tem curvas a ser impressas para deixar o negócio redondinho. O anfitrião, concretado na publicidade, foi fisgado pela Gastronomia, aproveitando o melhor de cada um para a casa que só promete experiências boas. Vale frisar que estão em soft-opening, o que para os desavisados endossa pesos e medidas proporcionais à idade da casa. Apesar da tenra infância, a casa já possui histórias, como um grupo que solicitou algo do ponto de técnica gastronômica entitulado como tartar-buguer, frio e quase sangrando. Lá, o cliente pediu, o cliente levou. A comunicação é a chave. Os molhos dos sanduíches não são industrializados, são produzidos na casa. As peças de carne chegam inteiras para a moeção dos blends, e nada de congelamento prévio. O bacon caramelizado em Jack Daniel´s é o que há. O milkshake de cheesecake, arrica-se dizer que é uma das receitas mais bem executadas, é pit stop obrigatório. Cream cheese de verdade, proporções ideais e nada dessa enganação de food-truques por ora aportados na Cidade Maravilhosa. As caldas do milkshake são feitas na casa, bem devagarzinho, em panelões.

 

Os 2 Ingredientes dessa panela são gastroholics, cozinheiros e food writers.

Atualmente Kaki Melo é chef executiva de seu catering atuante o segmento hoteleiro, frente à criação de novos cardápios. Sempre alternando entre o backstage e o front no cenário da Gastronomia Brasileira.

Atualmente Rudá Simões está aportado na praia de eventos e consultorias, tendo a Cozinha Brasileira como seu carro-chefe. Sempre temperando sua mesa com seus registros fotográficos e pesquisas.